PAGINAS

rios de sergipe.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011






















































































  • O rio Capivara é um rio brasileiro que banha o estado de Sergipe. Ele nasce na serra negra, no estado da Bahia, passando pelos os municípios Sergipanos de Nossa Senhora da Gloria, Monte Alegre e Porto da Folha. Onde em Porto da Folha passa pelo o perimetro urbano entre os bairro da Lagoa Salgada e Rua de Cima, até chegar à sua foz no rio São Francisco, no povoado Ilha do Ouro, municipio de Porto da Folha.

    O rio Cágado é um rio brasileiro que banha o estado de Sergipe.
    É um dos principais afluentes do rio Sergipe, pela margem esquerda.

    O rio Campanha é um rio brasileiro que banha o estado de Sergipe.
    É um dos principais afluentes do rio Sergipe, pela margem direita.

    O rio Ganhamoroba é um rio brasileiro que banha o estado de Sergipe.
    É um dos principais afluentes do rio Sergipe, pela margem esquerda.
    O rio banha a cidade de Maruim, localizada a 30Km da capital sergipana, Aracaju.

    O rio Jacarecica é um rio brasileiro que banha o estado de Sergipe.
    É um dos principais afluentes do rio Sergipe, pela margem direita.

    O rio Jacaré, também conhecida como Vereda do Romão Gramacho, é um rio brasileiro que banha o estado da Bahia. É um rio intermitente, localizado à margem direita do rio São Francisco. Banha cidades como Morro do Chapéu e Barra do Mendes.

    O rio Jacoca é um rio brasileiro que banha o estado de Sergipe.
    É um dos principais afluentes do rio Sergipe, pela margem direita.

    O rio Japaratuba é um rio brasileiro que banha o estado de Sergipe.
    A bacia do rio Japaratuba tem aproximadamente 92 km de extensão, a menor do estado de Sergipe. O rio nasce na Serra da Boa Vista, na divisa entre os municípios de Feira Nova e Graccho Cardoso, e deságua no oceano Atlântico, no município de Pirambu. O rio atravessa áreas agrícolas com cultivos de cana-de-açúcar e coco.

    O rio Lajes é um rio brasileiro que banha o estado de Sergipe.
    É um dos principais afluentes do rio Sergipe, pela margem direita.

    O rio Parnamirim é um rio brasileiro que banha o estado de Sergipe.
    É um dos principais afluentes do rio Sergipe, pela margem esquerda.

    O rio Piauí é um rio brasileiro intermitente que banha o estado de Sergipe. É a segunda maior bacia hidrográfica do estado com 132km de extensão,nasce em Riachão do Dantas. Banha os municípios de Lagarto,Estância,Boquim e Arauá.

    O rio Pitanga é um rio brasileiro que banha o estado de Sergipe.
    É um dos principais afluentes do rio Sergipe, pela margem direita

    O rio Pomomba é um rio brasileiro que banha o estado de Sergipe.
    É um dos principais afluentes do rio Sergipe, pela margem esquerda.

    O rio Poxim é um rio brasileiro que banha o estado de Sergipe.
    É um dos principais afluentes da margem direita do rio Sergipe.
    Na sua foz separa o Bairro 13 de Julho da Coroa do Meio na cidade de Aracaju.

    O rio Real é um rio brasileiro que banha os estados da Bahia e de Sergipe, dava nome à Vila de Campos do Rio Real (atual município de Tobias Barreto) e ao município baiano de Rio Real. Nasce na Bahia.

    O rio Salgado é um rio brasileiro que banha o estado de Sergipe.
    É um dos principais afluentes do rio Sergipe, pela margem esquerda




    O rio São Francisco é um dos mais importantes cursos d'água do Brasil e de toda a América do Sul. Conforme estudos, sua nascente real e geográfica está localizada no município de Medeiros, Minas Gerais. Na Serra da Canastra no município de São Roque de Minas, Minas Gerais encontra-se a aproximadamente 1200 metros de altitude a errônea chamada nascente histórica, qual por muito tempo se pensou ser a nascente real. O rio também atravessa o estado da Bahia, fazendo sua divisa ao norte com Pernambuco, bem como constituindo a divisa natural dos estados de Sergipe e Alagoas, e, por fim, deságua no Oceano Atlântico, drenando uma área de aproximadamente 641 000 km² e atingindo 2 830 km de extensão. Seu nome indígena é Opará e também é carinhosamente chamado Velho Chico.
    Apresenta dois estirões navegáveis: o médio, com cerca de 1.371 km de extensão, entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA) / Petrolina (PE) e o baixo, com 208 km, entre Piranhas (AL) e a foz, no Oceano Atlântico.
    O rio São Francisco atravessa regiões com condições naturais das mais diversas e tem cinco usinas hidroelétricas.
    As partes extremas superior e inferior da bacia apresentam bons índices pluviométricos, enquanto os seus cursos médio e submédio atravessam áreas de clima bastante seco. Assim, cerca de 75% do deflúvio do São Francisco é gerado em Minas Gerais, cuja área da bacia ali inserida é de apenas 37% da área total.
    A área compreendida entre a fronteira Minas Gerais-Bahia e a cidade de Juazeiro(BA), representa 45% do vale e contribui com apenas 20% do deflúvio anual.
    Os aluviões recentes, os arenitos e calcários, que dominam boa parte da bacia de drenagem, funcionam como verdadeiras esponjas para reterem e liberarem as águas nos meses de estiagem, a tal ponto que, em Pirapora (MG), Januária (MG) e até mesmo em Carinhanha (BA), o mínimo se dá em setembro, dois meses após o mínimo pluvial de julho.
    À medida que o São Francisco penetra na zona sertaneja semi-árida, apesar da intensa evaporação, da baixa pluviosidade e dos afluentes temporários da margem direita, tem seu volume d'água diminuído, mas mantém-se perene, graças ao mecanismo de retroalimentação proveniente do seu alto curso e dos afluentes no centro de Minas Gerais e oeste da Bahia. Nesse trecho o período das cheias ocorre de outubro a abril, com altura máxima em março, no fim da estação chuvosa. As vazantes são observadas de maio a setembro, condicionadas à estação seca.

     

    História

    Descobrimento


    Mapa da extensão total do rio São Francisco. Em seus 2.830 km o rio passa por cinco estados brasileiros.
    Como escreveu Guimarães Rosa, sua história tem sido a história do sofrimento de um rio que há mais de quinhentos anos é fonte de vida e riqueza. Seu descobrimento é atribuído ao navegador florentino Américo Vespúcio, que navegou em sua foz em 1501. O nome é homenagem a São Francisco de Assis, festejado naquela data. A 4 de Outubro de 1501, uma expedição de reconhecimento descia a costa brasileira, rente ao litoral, comandada por André Gonçalves e Américo Vespúcio e vinda do Cabo de São Roque. A região da foz era habitada pelos índios, que a chamavam Opará, que significa algo como “rio-mar”. Outra expedição, em 1503, chegou à foz, comandada por Gonçalo Coelho, outra vez com Américo Vespúcio. O rio era visitado apenas nas cercanias da foz, pois a mata, a caatinga desconhecida e as tribos ferozes impediam os brancos de penetrar na terra.[carece de fontes?]

    Expedições, entradas, bandeiras

    Em 1522, o primeiro donatário da capitania de Pernambuco, Duarte Coelho Pereira, fundou a cidade de Penedo, no atual estado de Alagoas. Foi o primeiro núcleo povoador das margens, fundada a quase 40 quilômetros da costa. A localização estratégica do povoado, à porta do sertão, mereceu também atenção dos holandeses, tanto que, mais tarde, em 1637, conseguiram nele erigir um forte.
    Os franceses já frequentavam a costa, e com certeza por volta de 1526 na foz do rio São Francisco, tanto que uma pequena baía, próxima à foz, recebeu o nome de Porto dos Franceses. Nas proximidades, ocorreu o famoso naufrágio de uma nau que levava D. Pero Fernandes Sardinha, primeiro bispo do Brasil. Escapando do naufrágio, em 1556, foi preso e devorado pelos índios Caetés que aí viviam. As tribos indígenas que ali viviam eram chamadas, pelos tupis, de tapuias pois era assim que chamavam qualquer tribo que não tivesse a mesma língua. Havia basicamente na costa do Brasil dois grupos distintos: os tupis e os gês.
    A colonização do vale do médio rio se efetuou em duas épocas distintas, a segunda delas quase um século depois da outra. Os primeiros estabelecimentos no médio São Francisco iniciaram-se no extremo a jusante. Exploradores de Olinda, fundada em 1534, e de Salvador, em 1549, se aventuraram pelo vale do rio entre dificuldades imensas, dadas à agressividade da natureza e à presença de selvagens. Um dos primeiros núcleos de colonização foi estabelecido em Bom Jesus da Lapa. Uma expedição vinda de Olinda, entre 1534 e 1550, chegou à região, atingindo Lapa. Anos depois outra expedição, de Salvador, aí esteve. Na metade do século, um grupo de 200 homens fundou ali um estabelecimento e numerosas fazendas de gado. No fim do século XVII a história registra a existência de uma fazenda de gado, próxima à atual cidade da Barra, o principal posto de abastecimento do médio São Francisco.

    Com a autorização da Coroa portuguesa, em 1543 começou a criação de gado, atividade que marca a história do vale. A exploração se limitava ao litoral, principalmente por causa dos indígenas. Os pancararus, atikum, kimbiwa, truká, kiriri, tuxás e pancararés, são remanescentes atuais dos povos antigos. Mas lendas sobre riquezas inacreditáveis atraíam aventureiros. A cobiça, pois se pensava encontrar ouro e pedras preciosas, acabou fazendo com que se aventurassem. Corriam, sobretudo em Porto Seguro, informações delirantes sobre tribos que se enfeitavam com ouro, pedras verdes, cristalinos diamantes. Por ordem do rei D. João III, o governador-geral Tomé de Sousa determinou a exploração do rio, em 1553, a Francisco Bruza de Espinosa, que formou a primeira entrada de penetração, levando um jesuíta basco, João de Azpilcueta Navarro. O roteiro dessa viagem e uma carta do padre são os primeiros documentos que descrevem o rio São Francisco. Não se acharam, porém, as sonhadas minas de ouro e prata como havia nas terras espanholas do Alto Peru.

    Duarte Coelho Pereira, governador, organizou uma expedição cujos navios entraram pela foz, tendo lutado contra os franceses ali encontrados, que faziam escambo com os indígenas, e os expulsou. Nessa oportunidade, navegou poucas léguas rio acima. Em 1560, um filho de Duarte Coelho, Duarte Coelho de Albuquerque, o segundo donatário de Pernambuco, com Jorge, seu irmão, lutou cinco anos contra os caetés.

    Em 1561, o rio foi visitado pela expedição de Vasco Rodrigues de Sousa e, em 1575, na entrada denominada de "Mata-Negro". Marco de Azevedo viajou ao interior com um grupo, em 1577. Sabe-se, também, que em 1583 João Coelho de Sousa penetrou o sertão e chegou ao rio.
    Em 1587, o governador Luís de Brito determinou a exploração do rio São Francisco e entregou a responsabilidade a Sebastião Álvares, numa iniciativa fracassada. Gaspar Dias de Ataíde e Francisco Caldas viram uma sua expedição dizimada em 1588. Em 1590, Cristóvão de Barros entrou pela região que hoje é o estado de Sergipe, até o baixo São Francisco, estabelecendo um caminho que serviria aos colonizadores e como defesa contra os franceses.

    Em 1595, um descendente de Caramuru, Melchior Dias Moreira, de acordo com carta escrita ao Conde de Sabugosa, teria penetrado e ultrapassado o rio São Francisco. Guiados pela cobiça, os colonizadores foram dizimando os índios, que fugiam para o planalto central. Assim, ergueram-se os primeiros e pequenos arraiais, iniciando o domínio da região, onde o ouro e as pedras preciosas.
    A alcunha «rio da integração nacional» se deve às entradas e bandeiras que nos séculos XVII e XVIII usaram-no como rota para penetrar no interior. Seu outro nome, «rio dos Currais» se deve por ter servido de trilha para fazer descer o gado do Nordeste até a região das Minas Gerais, sobretudo, no início do século XVIII, quando se achava ali o ouro que fez afluir milhões de pessoas à terra e fazendo, assim, a fortuna de muita gente e, afinal, integrando a região Nordeste às regiões Leste, Centro-Oeste e Sudeste.

    Em 1675, jazidas de ouro são encontradas em afluentes do São Francisco pela bandeira de Lourenço de Castanho que massacrou os cataguases da região. Entre as dezenas de expedições dos bandeirantes que palmilharam o São Francisco contam-se Matias Cardoso, Domingos Jorge Velho, Domingos Sertão, Borba Gato e Domingos Mafrense - este último subiu alguns afluentes, chegando às nascentes do rio Parnaíba. Em sua homenagem, há uma cidade chamada Vila Mafrense, no município de Paulistana, Piauí.

    Nesta época, os reinóis enfrentavam ainda a resistência de escravos fugitivos. Os quilombos formavam uma verdadeira república negra que desafiou por muito tempo o domínio da Coroa. Em 20 de dezembro de 1695, uma tropa mercenária, contratada por Portugal e os usineiros de açúcar da capitania de Pernambuco, destruiu o último foco da resistência armada dos escravos, ligadas ao famoso Quilombo dos Palmares.

    O Ciclo do ouro começou realmente com a bandeira de Fernão Dias Paes Leme, nas últimas décadas do século XVII. O rio das Velhas e o rio São Francisco formavam o caminho natural para o litoral e para o Reino. São Francisco acima subiam as mercadorias necessárias às minerações e fazendas, os barcos que regressavam traziam ouro. Logo se formaram quadrilhas de assaltantes nas estradas e, principalmente, no rio. Para combatê-las, as autoridades designaram bandeirantes como Matias Cardoso de Almeida, seu filho Januário Cardoso e Domingos do Prado Oliveira. Como muitas quadrilhas se refugiavam nas aldeias indígenas, o fato serviu de pretexto a expedições genocidas, como a que Januário Cardoso e o português Manuel Pires Maciel Parente comandaram, destruindo a da maior aldeia indígena daquela região - Itapiraçaba, dos índios caiapós. Também no século seguinte o bando de Domingos do Prado Oliveira destroçou a grande aldeia dos Guaiabas, na ilha fronteira a São Romão, pavoroso genocídio no início do século XVIII. Este bandeirante e sua gente tinham como base o povoado de Pedras de Cima, depois denominado Pedras dos Angicos.

    Haveria mais de cem famílias paulistas chamado desde 1690 no chamado «distrito dos couros», que era o vale do São Francisco, com as zonas ribeirinhas dos afluentes, que teriam origem nos expedicionários bandeirantes chamados ao Norte contra os tapuias e os quilombos, que como Borba Gato se dedicam inicialmente ao gado - entre seus descendentes muitos dos contrabandistas que no século XVIII sangram os Quintos do rei, rio abaixo, de bubuia, pelos direitos que se arrogam como detentores das datas e por crescentes exações da Real Fazenda, como o quinto e as capitações. Os paulistas estarão sempre entre os fautores dos movimentos armados do início da capitania de Minas - a guerra dos Emboabas, a rebelião de Pitangui, os famigerados motins do sertão com as românticas figuras de D. Maria da Cruz e do Padre Antônio Mendes Santiago

     O sistema de sesmarias


    O Rio São Francisco em 1635, por Frans Post.
    A ocupação só ocorreu por meio do sistema de sesmarias. O rio São Francisco ocupava parte das terras atribuídas à Casa da Torre de Garcia d'Ávila e à Casa da Ponte, de Antônio Guedes de Brito. Garcia d'Ávila se apoderou de suas terras em 1573: eram mais de 70 léguas entre o rio São Francisco e o rio Parnaíba no Piauí. Historiadores dizem que, residindo na Praia do Forte, próximo a Salvador, e possuindo uma Carta de Sesmaria, pois era fidalgo, o Garcia D'Ávila avançou em direção ao São Francisco, construindo em distâncias certas um curral e uma choupana, onde deixava 20 novilhas e um touro, e, para cuidar do rebanho, um casal de escravos. Tornou-se assim o primeiro latifundiário do São Francisco. Apossou-se das terras de forma irregular, pois o capítulo 26 do Regimento trazido por Roque da Costa Barreto determinava que, não se desse a pessoa alguma tanta quantidade de terra que a não pudesse cultivar ele próprio, tirando-as a quem assim não o cumprisse. Não era bem o modo como Garcia D'Ávila ocupou o sertão.

    A Casa da Ponte, entretanto, recebeu como indenização por serviços prestados e gêneros fornecidos às guerras, 960 quilômetros de margem de rio, que tinham início no Morro do Chapéu, no atual município de Jacaraci, estado da Bahia, estendendo-se até as nascentes do rio das Velhas, em Minas Gerais.

    Em 1637, os holandeses invadiram o povoado de Penedo por causa de sua localização estratégica na foz do rio, onde construíram o forte Maurício, em homenagem a Maurício de Nassau. O domínio holandês permaneceu forte até 1645, quando os portugueses retomaram a região. Outro fator importante da ocupação foram as missões religiosas, iniciadas por frades capuchinhos bretões a partir de 1641. No período da ocupação holandesa, o próprio Maurício de Nassau esteve no São Francisco, tendo dominado a área alagoana, até Penedo.

    No sertão do São Francisco a pessoa mais importante foi Manuel Nunes Viana, que se tornou dono da maior fortuna do São Francisco pois obteve procuração da filha do senhor da Casa da Ponte, Isabel Guedes de Brito, para administrar as terras de herança e cobrar o foro sobre a sesmaria. E de homem pobre Manuel Nunes se transformou em potentado em gado e terras, durante o ciclo do couro, no vale do São Francisco, ajudando ainda ao contrabando do ouro para o porto de Salvador e desafiando o conde de Assumar em Vila Rica

    Missões religiosas

    Ajudaram a ocupação as missões, registradas na região a partir de 1641. Franciscanos capuchinhos bretões instalaram os primeiros aldeamentos. Em um relato do frade Martim de Nantes se percebe o comportamento atrabiliário da família de Garcia d'Ávila, em constantes desentendimentos com os franciscanos. Os frades reclamavam da constante interrupção das missões que geralmente instalavam nas ilhas, áreas mais férteis; ora, os vaqueiros da Casa da Torre, no período da seca, que ali dura seis meses por ano, empurravam os rebanhos para comer a lavoura dos índios, obrigando-os a buscar alimento na caça, dispersando-se na caatinga e interrompendo o trabalho de catequese.

    Atritos entre missionários e os herdeiros de Garcia d'Ávila permeiam a correspondência entre os sacerdotes e seus superiores. Culminaram na reprovação da ação dos barbadinhos bretões, por parte das viúvas da Casa da Torre. E afinal, na proibição oficial de qualquer comunicação da região com a do sul. Descoberto o ouro nas terras que ficariam conhecidas como Minas, temia a corte o descaminho pelo porto de Salvador, fazendo assim escapar do controle do governo a parte de 20% (o quinto) que cobrava o rei de Portugal. Assim, a carta régia de 1701 proíbe "quaisquer comunicações daquela parte dos sertões baianos com as minas dos paulistas nos sertões mineiros", ameaçando de severas penas os infratores. O que na verdade não impediu o contrabando, mas o tornou mais difícil… O isolamento seria prejudicial pois a região estagnou por falta de contato com comunidades mais cultas. Diz Lacerda: "Atravessa a região o século XIX em melancólico torpor, apenas sacudida pela curiosidade de alguns naturalistas botânicos e geógrafos que a visitaram, e pelo estrelejar das brigas de bandos adversos, facções medievais, como guelfos e gibelinos de gibão encourado, perpetuando rixas familiares, generalizando, com encontros intermitentes, as questões domésticas dos senhores do rio.» Mas o isolamento serviu por outro lado para gerar uma sociedade muito particular, com suas lendas, mitos, folguedos, medos, suas crenças, vocabulário.

    Século XVIII

    O Alto São Francisco só foi colonizado a partir da descoberta do ouro, ao término do século XVII e no começo do século XVIII. A região era apenas percorrida no século XVII por exploradores, provavelmente vindos do Norte, sem qualquer povoamento. Descoberto o ouro em 1698, no sítio onde se ergue hoje Ouro Preto, o Alto São Francisco se desenvolveu em consequência da prosperidade mineira, que se expandia. Muitos paulistas se fixaram no alto São Francisco, fundando cidades que hoje têm seus nomes. A descoberta de ouro em Goiás, por volta de 1720, intensificou o povoamento. Já no Baixo São Francisco, o povoamento foi dificultado pela formação de aldeamentos de escravos fugitivos dos engenhos.
    Desde o início do século XVIII o desbravamento do São Francisco era completado por gente de Salvador e Recife. Para a fixação, concorreu a descoberta de ouro em Jacobina, no médio vale, junto da cabeceira de seu o afluente o rio Salitre, e pelo povoamento do Piauí, Maranhão e Ceará. Desenvolveram-se as fazendas de criação de gado.
    O alto São Francisco a essa altura, estava também povoado e era cruzado pelas rotas de penetração que se dirigiam a Goiás ao longo da qual muita gente se fixava, na exploração de diamantes e ouro ou em fazendas de pecuária. João Leite da Silva Ortiz, auxiliar de Anhanguera, que em 1722 descobriu ouro em Goiás, terminou por viver no local onde se ergue hoje Belo Horizonte, montando fazenda na serra das Congonhas.

    Durante o século XVIII, as contínuas descobertas de minerais e pedras provocaram novas colonizações nas áreas montanhosas, causando no vale do rio poucas alterações. Montes Claros, na bacia do rio Verde Grande, teve início neste século como uma área agrícola, e hoje é uma das cidades mais importantes.

     Século XIX

    Por volta de 1800 a indústria da mineração começou a declinar, e muitas cidades e povoados diminuíram em tamanho e importância. A agricultura substituiu a mineração. Cidades nascidas da mineração, subsistem da agricultura.

    Os primeiros estudos sobre o aproveitamento do potencial sócio-econômico foram realizados no século XIX. Em 1852, o engenheiro francês Emmanuel Liais foi contratado pelo Imperador Dom Pedro II para estudar o rio e as possibilidades de desenvolvimento de sua navegação. Em 1855, o alemão Henrique Halfeld, contratado pelo Império, desenvolveu estudos semelhantes. Os trabalhos de Halfeld e Liais são considerados os mais importantes do século XIX pela abrangência e pelo rigor técnico.

    Transposição


    Mapa da Transposição - Fonte:Agência Brasil/Governo Federal.
    A transposição do rio São Francisco se refere ao polêmico e antigo projeto de transposição de parte das águas do rio São Francisco, no Brasil, nomeado pelo governo brasileiro como "Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional". O projeto é um empreendimento do Governo Federal, sob responsabilidade do Ministério da Integração Nacional – MI. Orçado atualmente em R$ 4,5 bilhões, que prevê a construção de dois canais que totalizam 700 quilômetros de extensão. Tal projeto, teoricamente, irrigará a região nordeste e semi-árida do Brasil. A polêmica criada por esse projeto tem como base o fato de ser uma obra cara e que abrange somente 5% do território e 0,3% da população do semi-árido brasileiro e também que se a transposição for concretizada afetará intensamente o ecossistema ao redor de todo o rio São Francisco.[1] Há também o argumento de que essa transposição só vai ajudar os grandes latifundiários nordestinos pois grande parte do projeto passa por grandes fazendas e os problemas nordestinos não serão solucionados.[2] O principal argumento da polêmica dá-se sobretudo pela destinação do uso da água: os críticos do projeto alegam que a água será retirada de regiões onde a demanda por água para uso humano e dessendentação animal é maior que a demanda na região de destino e que a finalidade última da transposição é disponibilizar água para a agroindústria e a carcinicultura.

     Geografia

    Segundo fontes governamentais,[3] tem uma extensão de 2 830 km e uma declividade média de 8,8 cm/km. A média das vazões na foz é de 2 943 m³/s, e a velocidade média de sua corrente é de 0,8 m/s (entre Pirapora, Minas Gerais e Juazeiro, Bahia).

    O rio São Francisco banha cinco estados, recebendo água de 90 afluentes pela margem direita e 78 afluentes pela margem esquerda, num total de 168 afluentes, sendo 99 deles perenes. É um rio de grande importância econômica, social e cultural para os estados que atravessa. Folcloricamente, é citado em várias canções e há muitas lendas em torno das carrancas (entidades do mal) que até hoje persistem. Os trechos navegáveis estão no seu médio e baixo cursos. O maior deles, entre Pirapora e Juazeiro - Petrolina, com 1 371 km de extensão, pode ser analisado em três subpartes, devido a algumas características distintas de seus percursos. O primeiro subtrecho, que se estende de Pirapora até a extremidade superior do reservatório de Sobradinho, próximo à cidade de Xique-Xique, tem 1.074 km de extensão. No médio São Francisco, a navegação é exercida pela FRANAVE, com frota de comboios adequada às atuais condições da via.

    Foz do Rio São Francisco em Piaçabuçu-AL.
    As principais mercadorias transportadas são cimento, sal, açúcar, arroz, soja, manufaturas, madeira e principalmente gipsita. No baixo e médio São Francisco, promove-se o transporte de turistas em embarcações equipadas com caldeiras a lenha. Atualmente o rio São Francisco está sendo transposto. O que está dividindo opiniões entre brasileiros que vivem nos estados banhados pelo rio.
    Características físicas
    • Declividade Média: 8,8 cm/km
    • Média das Vazões na Foz: 2.943 m³/s
    • Velocidade Média de Corrente: 0,8 m/s (entre Pirapora - MG e Juazeiro - BA).

    Principais afluentes

     Condições pluviométricas

    As condições pluviométricas, no baixo curso do São Francisco, diferem das constatadas no médio e alto cursos. No baixo vale os meses mais chuvosos são, geralmente, os de maio, junho e julho. O período de estiagem perdura de setembro a fevereiro, sendo outubro o mês menos chuvoso.

    No médio e alto vales as maiores precipitações vão de novembro a março. O período menos chuvoso inicia-se em abril, estendendo-se até outubro, sendo junho, julho e agosto os meses de menores precipitações.

    Importância econômica


    O Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso é um conjunto de usinas, localizado na cidade de Paulo Afonso, que produz 4.000 megawatts de energia, gerada a partir so desnível natural de 80 metros da cachoeira de Paulo Afonso, no rio São Francisco.
    O rio São Francisco é também o maior responsável pela prosperidade de suas áreas ribeirinhas compreendidas pela dominação de Vale do São Francisco, onde cidades experimentaram maior crescimento e progresso como Petrolina em Pernambuco e Juazeiro na Bahia devido a agricultura irrigada. Essa região apresenta-se atualmente como a maior produtora de frutas tropicais do país, recebendo atenção especial, também, a produção de vinho, em uma das poucas regiões do mundo que obtêm duas safras anuais de uvas.

     Hidrovia

    Equivalente a distância entre Brasília (DF) e Salvador (BA), essa é, sem dúvida, a mais econômica forma de ligação entre o Centro Sul e o Nordeste.

    Com o seu extremo sul localizado na cidade de Pirapora (MG), a hidrovia do São Francisco é interligada por ferrovias e estradas aos mais importantes centros econômicos do Sudeste, além de fazer parte do Corredor de Exportação Centro-Leste. Ao norte, nas cidades vizinhas a Juazeiro (BA) e Petrolina(PE), a hidrovia está ligada às principais capitais do Nordeste, dada a posição geográfica destas duas cidades.

    O rio São Francisco oferece condições naturais de navegação durante todo o ano, cuja profundidade varia de acordo com o regime de chuvas (calado). Seu porto mais importante é o de Pirapora (MG), interligado aos portos fluviais de Petrolina(PE) e Juazeiro(BA) e aos marítimos de Vitória(ES), Rio de Janeiro (cidade) (RJ), Santos (SP), Salvador (BA), Recife (PE) e Porto de Suape (PE), através de rodovias e ferrovias.

    Em grande parte do vale do São Francisco as áreas mais propícias ao aproveitamento agrícola situam-se às margens do mesmo. Por esse motivo a maior parcela da população do vale se encontra nas proximidades do rio.

    A hidrovia do São Francisco, através do programa "AVANÇA BRASIL", passa por uma etapa de grandes intervenções físicas. Aliadas a isso estão as ações de operacionalidade da via.
    Todas essas ações permitirão que a hidrovia do São Francisco atenda a crescente demanda de tráfego, não só na região ribeirinha, mas de todo o país, consolidando-se, assim, como um dos principais elos entre o Sudeste e o Nordeste.

     Condições de navegabilidade

    O rio São Francisco oferece condições naturais de navegação entre Pirapora-MG e Petrolina-PE/Juazeiro-BA, durante todo o ano, com variação de calado segundo o regime de chuvas. É navegável em seus trechos Médio e Baixo, sendo o Médio São Francisco compreendido entre Pirapora-MG e Petrolina-PE / Juazeiro-BA e o Baixo entre Piranhas-AL e a Foz. Devido as diferentes características físicas existentes ao longo da via navegável, subdivide-se o trecho Pirapora-MG a Petrolina-PE/Juazeiro-BA em 03(três) subtrechos, a saber:

    Trecho do rio São Francisco entre os municípios de Ponto Chique e Várzea da Palma, em Minas Gerais.
    Este trecho com 1.015 km de extensão, apresenta condições bastantes distintas entre o período de estiagem e o de cheia, ocorrendo variações de níveis de até 6,00 m. Na cheia o leito do rio é largo e regular, com estirões naturalmente navegáveis. No período de estiagem, a área molhada é menor, o talvegue se desenvolve entre ilhas e bancos de areia móveis ao longo do canal, que é desobstruído a medida que se torna necessário para manter a segurança da hidrovia. Há também, a existência de travessões rochosos e pedrais em alguns trechos, pedrais junto a margem e pedras isoladas no leito do rio, que são devidamente sinalizados e balizados, garantindo navegação segura. Quanto aos bancos de areia estima-se um volume anual de dragagem na ordem de 150.000m3 a 250.000m3, dependendo das condições do rio. Para todos os pedrais existentes, é feita sinalização com placas e bóias, e para alguns deles são feitos estudos quanto a possibilidade de derrocamento.

    Neste trecho a navegação é feita pelo Lago de Sobradinho ao longo de 314 km, caracterizando-se como navegação lacustre com excelentes profundidades.

    Trecho com 42 km de extensão e largura variando de 300 a 800m, garante calado de 2,00 m para uma vazão da Barragem de Sobradinho de 1.500m3 /seg. (A vazão defluente regularizada da U.H. de Sobradinho é de2.063m3 /seg).
    Trecho navegável do Cânion do São Francisco, entre o Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso e a Usina Hidrelétrica de Xingó.
    Piranhas-AL à Foz
    Com uma extensão de 208 km, apresenta navegação turística.
       
     
     
    FONTE: WIKPÉDIA
     
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    independencia do Brasil

    quinta-feira, 1 de setembro de 2011

    A Independência do Brasil é um dos fatos históricos mais importantes de nosso país, pois marca o fim do domínio português e a conquista da autonomia política. Muitas tentativas anteriores ocorreram e muitas pessoas morreram na luta por este ideal. Podemos citar o caso mais conhecido: Tiradentes. Foi executado pela coroa portuguesa por defender a liberdade de nosso país, durante o processo da Inconfidência Mineira.
    Dia do Fico
    Em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro I recebeu uma carta das cortes de Lisboa, exigindo seu retorno para Portugal. Há tempos os portugueses insistiam nesta idéia, pois pretendiam recolonizar o Brasil e a presença de D. Pedro impedia este ideal. Porém, D. Pedro respondeu negativamente aos chamados de Portugal e proclamou : "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico."
    O processo de independência
    Após o Dia do Fico, D. Pedro tomou uma série de medidas que desagradaram a metrópole, pois preparavam caminho para a independência do Brasil. D. Pedro convocou uma Assembléia Constituinte, organizou a Marinha de Guerra, obrigou as tropas de Portugal a voltarem para o reino. Determinou também que nenhuma lei de Portugal seria colocada em vigor sem o " cumpra-se ", ou seja, sem a sua aprovação. Além disso, o futuro imperador do Brasil, conclamava o povo a lutar pela independência.
    O príncipe fez uma rápida viagem à Minas Gerais e a São Paulo para acalmar setores da sociedade que estavam preocupados com os últimos acontecimento, pois acreditavam que tudo isto poderia ocasionar uma desestabilização social. Durante a viagem, D. Pedro recebeu uma nova carta de Portugal que anulava a Assembléia Constituinte e exigia a volta imediata dele para a metrópole.
    Estas notícias chegaram as mãos de D. Pedro quando este estava em viagem de Santos para São Paulo. Próximo ao riacho do Ipiranga, levantou a espada e gritou : " Independência ou Morte !". Este fato ocorreu no dia 7 de setembro de 1822 e marcou a Independência do Brasil. No mês de dezembro de 1822, D. Pedro foi declarado imperador do Brasil.
    Bandeira do Brasil Império. Primeira bandeira brasileira após a Independência.
    Pós Independência
    Os primeiros países que reconheceram a independência do Brasil foram os Estados Unidos e o México. Portugal exigiu do Brasil o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas para reconhecer a independência de sua ex-colônia. Sem este dinheiro, D. Pedro recorreu a um empréstimo da Inglaterra.
    Embora tenha sido de grande valor, este fato histórico não provocou rupturas sociais no Brasil. O povo mais pobre se quer acompanhou ou entendeu o significado da independência. A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou desigual. A elite agrária, que deu suporte D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou.
    fonte:http://www.suapesquisa.com/independencia/
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    HISTÓRIA DO CANGAÇO

    domingo, 28 de agosto de 2011

    O Cangaço foi um fenômeno ocorrido no nordeste brasileiro de meados do século XIX ao início do século XX. O cangaço tem suas origens em questões sociais e fundiárias do Nordeste brasileiro, caracterizando-se por ações violentas de grupos ou indivíduos isolados: assaltavam fazendas, seqüestravam coronéis (grandes fazendeiros) e saqueavam comboios e armazéns. Não tinham moradia fixa: viviam perambulando pelo sertão, praticando tais crimes, fugindo e se escondendo.

    O Cangaço pode ser dividido em três subgrupos: os que prestavam serviços esporádicos para os latifundiários; os "políticos", expressão de poder dos grandes fazendeiros; e os cangaceiros independentes, com características de banditismo.
    Os cangaceiros conheciam a caatinga e o território nordestino muito bem, e por isso, era tão difícil serem capturados pelas autoridades. Estavam sempre preparados para enfrentar todo o tipo de situação. Conheciam as plantas medicinais, as fontes de água, locais com alimento, rotas de fuga e lugares de difícil acesso.
    O primeiro bando de cangaceiros que se tem conhecimento foi o de Jesuíno Alves de Melo Calado, "Jesuíno Brilhante", que agiu por volta de 1870. E o último foi de "Corisco" (Cristino Gomes da Silva Cleto), que foi assassinado em 25 de maio de 1940.
    O cangaceiro mais famoso foi Virgulino Ferreira da Silva, o "Lampião", denominado o "Senhor do Sertão" e também "O Rei do Cangaço". Atuou durante as décadas de 20 e 30 em praticamente todos os estados do Nordeste brasileiro.
    Por parte das autoridades Lampião simbolizava a brutalidade, o mal, uma doença que precisava ser cortada. Para uma parte da população do sertão ele encarnou valores como a bravura, o heroísmo e o senso da honra.
    O cangaço teve o seu fim a partir da decisão do Presidente da República, Getúlio Vargas, de eliminar todos e qualquer foco de desordem sobre o território nacional. O regime denominado Estado Novo incluiu Lampião e seus cangaceiros na categoria de extremistas. A sentença passou a ser matar todos os cangaceiros que não se rendessem.
    No dia 28 de julho de 1938 na localidade de Angicos, no estado de Sergipe, Lampião finalmente foi apanhado em uma emboscada das autoridades, que excerceram corretamente a justiça, onde foi morto junto com sua mulher, Maria Bonita e mais nove cangaceiros.

    Esta data veio a marcar o final do cangaço pois a partir da repercussão da morte de Lampião os chefes dos outros bandos existentes no nordeste brasileiro vieram a se entregar às autoridades policiais para não serem mortos.

     História
    Consta que o primeiro cangaceiro teria sido o "Cabeleira" (José Gomes), líder nascido em Glória do Goitá - cidade da zona da mata pernambucana - em 1751, que aterrorizou a região, inclusive, Recife. Mas foi somente no final do século XIX que o cangaço ganhou força e prestígio, principalmente com "Antônio Silvino", "Lampião" e "Corisco". Entre meados do século XIX e início do século XX, o Nordeste do Brasil viveu momentos difíceis, atemorizado por grupo de homens que espalhava o terror por onde andava: os cangaceiros, bandidos que abraçaram a vida nômade e irregular de malfeitores por motivos diversos.

    Alguns deles foram impelidos pelo despotismo de homens poderosos.
    Um famoso cangaceiro foi "Lampião". Os cangaceiros conseguiram dominar o sertão durante muito tempo, porque eram protegidos de "coronéis", que se utilizavam dos cangaceiros para cobrança de dívidas, entre outros serviços "sujos".

    Um caso particular foi o de Januário Garcia Leal, o Sete Orelhas, que agiu no sudeste do Brasil, no início do século XIX, tendo sido considerado justiceiro e honrado por uns e cangaceiro por outros.
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    BANDEIRA E BRASÃO DE SERGIPE

    Nos fins do século XIX, o negociante e industrial sergipano José Rodrigues Bastos Coelho, necessitando de um distintivo para suas embarcações que identificasse o Estado de onde procediam, elaborou uma bandeira para este fim.

    A bandeira, formada por um retângulo com quatro listras - alternando as cores verde e amarelo -, e um retângulo azul na parte superior à esquerda com quatro estrelas brancas de cinco raios, passou a ser conhecida, nos portos freqüentados pelos navios de Bastos Coelho, como a "Bandeira Sergipana". As cores usadas foram as nacionais e as estrelas representavam quatro barras do Estado, talvez as mais transitadas pelo autor.

    Esta bandeira, acrescentando mais uma estrela maior no centro das outras para representar o número exato das barras sergipanas, foi oficializada através da Lei No 795, de 19 de outubro de 1920. No dia 24 de outubro de 1920 a bandeira oficial de Sergipe foi hasteada pela primeira vez, na fachada do Palácio do Governo, ficando ao lado da bandeira nacional.

    Em 1951, a bandeira oficial do Estado foi alterada. As cores e características foram mantidas, exceto o retângulo azul, que a partir daí continha quarenta e duas estrelas, representando o número dos municípios sergipanos na época.
    No ano seguinte foi restabelecida a bandeira oficial instituída pela Lei No 795, de 19 de outubro de 1920.




    BRASÃO DE SERGIPE
    
     A Lei nº 02, de 5 de julho de 1892 instituiu o Brasão de Armas de Sergipe.

    Coube ao professor Brício Cardoso a criação do Brasão, oficializado em 5 de julho de 1892 pela Assembléia Legislativa.
    Sua simbologia está representada pelo índio Serigi embarcando em um balão; em seu centro a palavra PORVIR - o futuro. Abaixo do cesto do balão a legenda Sub Lege Libertas - Sob a Lei a Liberdade. Encerrando a faixa a data da primeira Constituição do Estado - 18 de maio de 1892. O índio representa o passado e o balão o futuro e a civilização.

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    HINO DE SERGIPE

    O Hino, o símbolo mais antigo de Sergipe foi publicado pela primeira vez no jornal "Noticiador Sergipano", de São Cristóvão, em 1836. Seus versos são de autoria do professor Manoel Joaquim de Oliveira Campos e a música é de frei José de Santa Cecília, ambos sergipanos.


     HINO DE SERGIPE
    Alegrai-vos, Sergipanos,
    Eis surge a mais bela aurora
    Do áureo jucundo dia
    Que a Sergipe honra e decora.
    O dia brilhante
    Que vimos raiar,
    Com cânticos doces
    Vamos festejar.
    A bem de seus filhos todos
    quis o Brasil se lembrar,
    de seu imenso terreno
    em províncias separar.
    O dia brilhante ...
    isto se fez, mas contudo
    tão Cômodo não ficou,
    como por más consequências
    depois se verificou.
    O dia brilhante ...
    Cansado da dependência
    com a província maior,
    Sergipe ardente procura
    um bem mais consolador.
    O dia brilhante ...
    alça a voz que o trono sobe
    que ao soberano excitou,
    e, curvo o trono a seus votos,
    independente ficou.
    O dia brilhante ...
    Eis, patrícios sergipanos,
    nossa dita singular,
    Com doces, alegres cantos
    nós devemos festejar.
    O dia brilhante ...
    mandemos, porém, ao longe
    essa espécie de Rancor,
    que ainda hoje alguém conserva
    aos da província maior.
    O dia brilhante ...
    a união mais constante
    nós deverá congraçar,
    sustentando a liberdade
    de que queremos gozar.
    O dia brilhante ...
    Se vier danosa intriga
    nossos lares habitar,
    desfeitos os nossos gostos
    tudo em flor há de murchar.


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    LITERATURA DE CORDEL

    A literatura de cordel é um tipo de poesia popular, originalmente oral, e depois impressa em folhetos rústicos ou outra qualidade de papel, expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome que vem lá de Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes. No Nordeste do Brasil, herdamos o nome (embora o povo chame esta manifestação de folheto), mas a tradição do barbante não perpetuou. Ou seja, o folheto brasileiro poderia ou não estar exposto em barbantes. São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, como também fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores.

    História
    A história da literatura de cordel começa com o romanceiro luso-espanhol da Idade Média e do Renascimento. O nome cordel está ligado à forma de comercialização desses folhetos em Portugal, onde eram pendurados em cordões, lá chamados de cordéis. Inicialmente, eles também continham peças de teatro, como as de autoria de Gil Vicente (1465-1536).Foram os portugueses que trouxeram o cordel para o Brasil desde o início da colonização. Na segunda metade do século XIX começaram as impressões de folhetos brasileiros, com características próprias daqui. Os temas incluem desde fatos do cotidiano, episódios históricos, lendas , temas religiosos, entre muitos outros. As façanhas do cangaceiro Lampião (Virgulino Ferreira da Silva, 1900-1938) e o suicídio do presidente Getúlio Vargas (1883-1954) são alguns dos assuntos de cordéis que tiveram maior tiragem no passado. Não há limite para a criação de temas dos folhetos. Praticamente todo e qualquer assunto pode virar cordel nas mãos de um poeta competente.

    No Brasil, a literatura de cordel é produção típica do Nordeste, sobretudo nos estados de Pernambuco, da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do Ceará. Costumava ser vendida em mercados e feiras pelos próprios autores. Hoje também se faz presente em outros Estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. O cordel hoje é vendido em feiras culturais, casas de cultura, livrarias e nas apresentações dos cordelistas.
    Os poetas Leandro Gomes de Barros (1865-1918) e João Martins de Athayde (1880-1959) estão entre os principais autores do passado.[1]
    Todavia, este tipo de literatura apresenta vários aspectos interessantes e dignos de destaque:
    As suas gravuras, chamadas xilogravuras, representam um importante espólio do imaginário popular;
    Pelo fato de funcionar como divulgadora da arte do cotidiano, das tradições populares e dos autores locais (lembre-se a vitalidade deste gênero ainda no nordeste do Brasil), a literatura de cordel é de inestimável importância na manutenção das identidades locais e das tradições literárias regionais, contribuindo para a perpetuação do folclore nacional;
    Pelo fato de poderem ser lidas em sessões públicas e de atingirem um número elevado de exemplares distribuídos, ajudam na disseminação de hábitos de leitura e lutam contra o analfabetismo;
    A tipologia de assuntos que cobrem, crítica social e política e textos de opinião, elevam a literatura de cordel ao estandarte de obras de teor didático e educativo.
    Poética
    Trabalho de alunos, praça em Cerqueira César

    Quadra
    Estrofe de quatro versos. A quadra iniciou o cordel, mas hoje não é mais utilizada pelos cordelistas. Porém as estrofes de quatro versos ainda são muito utilizadas em outros estilos de poesia sertaneja, como a matuta, a caipira, a embolada, entre outros.

    A quadra é mais usada com sete sílabas. Obrigatoriamente tem que haver rima em dois versos (linhas). Cada poeta tem seu estilo. Um usa rimar a segunda com a quarta. Exemplo:
    Minha terra tem palmeiras
    Onde canta o sabiá (2)
    As aves que aqui gorjeiam
    Não gorjeiam como lá (4).

    Outro prefere rimar todas as linhas, alternando ou saltando. Pode ser a primeira com a terceira e a segunda com a quarta, ou a primeira com a quarta e a segunda com a terceira. Vejamos estes exemplos de Zé da Luz: (ABAB ou ABBA)
    E nesta constante lida
    Na luta de vida e morte
    O sertão é a própria vida
    Do sertanejo do Norte
    Três muié, três irimã,
    Três cachorra da mulesta
    Eu vi nun dia de festa
    No lugar Puxinanã.

    Sextilha
    Estrofe ou estância de seis versos. Estrofe de seis versos de sete sílabas, com o segundo, o quarto e o sexto rimados; verso de seis pés, colcheia, repente. Estilo muito usado nas cantorias, onde os cantadores fazem alusão a qualquer tema ou evento e usando o ritmo de baião. Exemplo:
    Quem inventou esse "S"
    Com que se escreve saudade 1
    Foi o mesmo que inventou
    O "F" da falsidade 2
    E o mesmo que fez e "I"
    Da minha infelicidade 3

    Septilha
    Estrofe (rara) de sete versos; setena (de sete em sete). Estilo muito usado por Zé Limeira, o Poeta do Absurdo.
    Eu me chamo Zé Limeira
    Da Paraiba falada
    Cantando nas escrituras
    Saudando o pai da coaiada
    A lua branca alumia
    Jesus, Jose e Maria
    Três anjos na farinhada.
    Napoleão era um
    Bom capitão de navio
    Sofria de tosse braba
    No tempo que era sadio,
    Foi poeta e demagogo
    Numa coivara de fogo
    Morreu tremendo de frio.
    Na septilha ele usa o estilo de rimar a segunda linha com a quarta e a sétima e a quinta com a sexta, deixando livres a primeira e a terceira.

    Oitava
    Estrofe ou estância (grupo de versos que apresentam, comumente, sentido completo) de oito versos: oito-pés-em-quadrão. Oitavas-a-quadrão.
    Como o nome já sugere, a oitava é composta de oito versos, ou oito linhas ou duas quadras, com sete sílabas. A rima na oitava difere das outras. O poeta usa rimar a primeira com a segunda e terceira, a quarta com a quinta e oitava e a sexta com a sétima. Todas as estrofes são encerradas com o verso: Nos oito pés a quadrão. Vejamos versos de uma contaria entre José Gonçalves e Zé Limeira: - (AAABBCCB)

    Gonçalves
    Eu canto com Zé Limeira
    Rei dos vates do Teixeira
    Nesta noite prazenteira
    Da lua sob o clarão
    Sentindo no coração
    A alegria deste canto *
    Por isso é que eu canto tanto *
    NOS OITO PÉS A QUADRÃO

    Limeira
    Eu sou Zé Limeira e tanto
    Cantando por todo canto
    Frei Damião já é santo
    Dizendo a santa missão
    Espinhaço e gangão
    Batata de fim de rama *
    Remédio de velho é cama *
    NOS OITO PÉS A QUADRÃO.

    Quadrão
    Oitava na poesia popular, cantada, na qual os três primeiros versos rimam entre si, o quarto com o oitavo, e o quinto, o sexto e o sétimo também entre si.

    Décima
    Estrofe de dez versos, com dez ou sete sílabas, cujo esquema rimático é, mais comumente, ABBAACCDDC, empregada sobretudo na glosa dos motes, conquanto se use igualmente nas pelejas e, com menos freqüência, no corpo dos romances.

    Geralmente nas pelejas é dado um mote para que os violeiros se desdobrem sobre o mesmo. Vejamos e exemplo com José Alves Sobrinho e Zé Limeira:

    Mote
    VOCÊ HOJE ME PAGA O QUE TEM FEITO
    COM OS POETAS MAIS FRACOS DO QUE EU.

    Sobrinho
    Vou lhe avisar agora Zé Limeira <A
    Dizem que quem avisa amigo é >B
    Vou lhe amarrar agora a mão e o pé >B
    E lhe atirar naquela capoeira <A
    Pra você não dizer tanta besteira <A
    Nesta noite em que Deus nos acolheu >C
    Você hoje se esquece que nasceu >C
    E se lembra que eu sou bom e perfeito >D
    Você hoje me paga o que tem feito >D
    Com os poetas mais fracos do que eu. >C

    Zé Limeira
    Mais de trinta da sua qualistria
    Não me faz eu correr nem ter sobrosso
    Eu agarro a tacaca no pescoço
    E carrego pra minha freguesia
    Viva João, viva Zé, viva Maria
    Viva a lua que o rato não lambeu
    Viva o rato que a lua não roeu
    Zé Limeira só canta desse jeito
    Você hoje me paga o que tem feito
    Com os poetas mais fracos do que eu.
    Galope à beira-mar

    Estrofe de 10 versos hendecassílabos (que tem 11 sílabas), com o mesmo esquema rímico da décima clássica, e que finda com o verso "cantando galope na beira do mar" ou variações dele. Termina, sempre, com a palavra "mar".

    Às vezes, porém, o primeiro, o segundo, o quinto e o sexto versos da estrofe são heptassílabos, e o refrão é "meu galope à beira-mar". É considerado o mais difícil gênero da cantoria nordestina, obrigatoriamente tônicas as segunda, quinta, oitava e décima primeira sílabas.

    Sobrinho
    Provo que eu sou navegador romântico
    Deixando o sertão para ir ao mirífico
    Mar que tanto adoro e que é o Pacífico
    Entrando depois pelas águas do Atlântico
    E nesse passeio de rumo oceânico
    Eu quero nos mares viver e sonhar
    Bonitas sereias desejo pescar
    Trazê-las na mão pra Raimundo Rolim
    Pra mim e pra ele, pra ele e pra mim
    Cantando galope na beira do mar.

    Limeira
    Eu sou Zé Limeira, caboclo do mato
    Capando carneiro no cerco do bode
    Não gosto de feme que vai no pagode
    O gato fareja no rastro do rato
    Carcaça de besta, suvaco de pato
    Jumento, raposa, cancão e preá
    Sertão, Pernambuco, Sergipe e Pará
    Pará, Pernambuco, Sergipe e Sertão
    Dom Pedro Segundo de sela e gibão
    Cantando galope na beira do mar.

    Martelo
    Estrofe composta de decassílabos, muito usada nos versos heróicos ou mais satíricos, nos desafios. Os martelos mais empregados são o gabinete e o agalopado.

    Martelo agalopado
    Estrofe de dez versos decassílabos, de toada violenta, improvisada pelos cantadores sertanejos nos seus desafios.
    Martelo de seis pés, galope - Estrofe de seis versos decassilábicos. Também se diz apenas agalopado.

    Redondilha
    Antigamente, quadra de versos de sete sílabas, na qual rimava o primeiro com o quarto e o segundo com o terceiro, seguindo o esquema abba.
    Hoje, verso de cinco ou de sete sílabas, respectivamente redondilha menor e redondilha maior.

    Carretilha
    Literatura popular brasileira - Décima de redondilhas menores rimadas na mesma disposição da décima clássica; miudinha, parcela, parcela-de-dez.

     Métrica e Rima
    Métrica
    Arte que ensina os elementos necessários à feitura de versos medidos. Sistema de versificação particular a um poeta. Contagem das sílabas de um verso. Verso é a linguagem medida. Para medir devemos ajuntar as palavras em número prefixado de pés. Chama-se pé uma sílaba métrica. O verso português pode ter de duas a doze sílabas. Os mais comuns são os de seis, sete, oito, dez e doze pés. Como o verso mais comum, mais espontâneo é o de sete pés, comecemos nele a contagem métrica. Exemplo:
    Minha terra tem palmeiras
    Onde canta o sabiá
    As aves que aqui gorjeiam
    Não gorjeiam como lá.
    Eis como se contam as sílabas:
    Mi | nha | ter | ra |tem | pal | mei|
    Não contamos a sílaba final "ras" porque o verso acaba no último acento tônico. O verso a quem sobra uma sílaba final chama-se grave. Aquele a quem sobram duas sílabas finais chama-se esdrúxulo. O terminado por palavra oxítona chama-se agudo, como o segundo e o quarto do exemplo supra. Eis como se decompõe o segundo verso:
    On | de | can | ta o | sa | bi |á|
    Nesse verso "ta o" se lêem como t'o formando um pé, pela figura sinalefa (fusão) . Sabiá, modernamente, se deve contar dissílabo, porque biá, em duas silabas, forma hiato. Em geral devemos sempre evitar o hiato, quer intraverbal, quer interverbal. Os autores antigos e os modernos pouco escrupulosos toleram muitos hiatos.

    Sinalefa
    Figura pela qual se reúnem duas sílabas em uma só, por elisão, crase ou sinérese.

    Sinérese
    Contração de duas sílabas em uma só, mas sem alteração de letras nem de sons, como, p. ex., em reu-nir, pie-da-de, em vez de re-u-nir, pi-e-da-de.
    As| aves | que a| qui | gor| jei |
    Não | gor | jei| am | co | mo | lá |
    No caso o verso é um heptassílabo, porque só contamos sete sílabas. Se colocarmos uma sílaba a mais ou a menos em qualquer dos versos, fica dissonante e perde a beleza e harmonia.
    Vale lembrar que quando a palavra seguinte inicia com vogal, dependendo do caso, pode haver a junção da sílaba da primeira com a segunda, como se faz na língua francesa.
    Exemplo:
    Para verificar a quantidade de silabas podemos contar nos dedos. Vejamos neste trechinho de Patativa do Assaré:
    Nes | ta | noi | te | pas | sa | gei | ra
    1 2 3 4 5 6 7
    Há | coi| sa | que | mui | to | pas | ma
    1 2 3 4 5 6 7
    Um mote:
    Vou | fa | zer | se | re | na | ta | na | cal | ça | da
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
    Da | me | ni | na | que a | mei | na | mi | nha | vi | da
    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10


     Rima
    Rimas consoantes
    As que se conformam inteiramente no som desde a vogal ou ditongo do acento tônico até a última letra ou fonema. Exemplo: fecundo e mundo; amigo e contigo; doce e fosse; pálido e válido; moita e afoita.

    Rimas toantes
    Aquelas em que só há identidade de sons nas vogais, a começar das vogais ou ditongos que levam o acento tônico, ou, algumas vezes, só nas vogais ou ditongos da sílaba tônica. Exemplo: fuso e veludo; cálida e lágrima; "Sem propósito de sonho / nem de alvoradas seguintes, / esquece teus olhos tontos / e teu coração tão triste." Cecília Meireles, Obra Poética, p. 516).

    No caso da literatura de cordel nordestina, faz parte da tradição do gênero o uso de rimas consoantes. Se um folheto de cordel usa rimas toantes, o conhecedor de cordel pensa logo que o autor daquele folheto desconhece a existência destas regras. Um cordel escrito assim pode até ser um grande poema, mas não se pode dizer que se trata de 'um cordel autêntico'.

    Bibliografia
    Dicionário Aurélio
    Português prático – Sivadi Editorial
    Fonte:
    - http://pt.wikipedia.org/wiki/Literatura_de_cordel
     

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    FOLCLORE

    Sergipe guarda em sua história e tradição muito das culturas portuguesa e negra e um dos mais ricos folclores do Brasil. São inúmeras as manifestações culturais que nos remetem ao passado e garantem, no presente, uma permanente interação entre as mais diversas comunidades responsáveis pela continuidade do nosso folclore. A seguir, você fará uma viagem pelo que há de mais belo na cultura popular sergipana.

    GRUPOS FOLCLÓRICOS
     Cacumbi
    Não se sabe ao certo a origem do Cacumbi, acredita-se que é uma variação de outros autos e bailados como Congada, Guerreiro, Reisado e Cucumbi.
    O grupo apresenta-se na Procissão de Bom Jesus dos Navegantes e no Dia de Reis, quando a dança é realizada em homenagem a São Benedito e Nossa Senhora do Rosário. Pela manhã, os integrantes do grupo assistem à missa na igreja, onde cantam e dançam em homenagem aos santos padroeiros. Depois das louvações, o grupo sai às ruas cantando músicas profanas e, à tarde, acompanham a procissão pelas ruas da cidade.
    Seus personagens são o Mestre, o Contra-Mestre e os dançadores e cantadores; o grupo é composto exclusivamente por homens. Os componentes vestem calça branca, camisa amarela e chapéus enfeitados com fitas, espelhos e laços. Só o Mestre e o Contra-Mestre usam camisas azuis. O ritmo é forte, o som marcante e o apito coordena a mudança dos passos. Os instrumentos que acompanham o grupo são: cuíca, pandeiro, reco-reco, caixa e ganzá.
    Em Sergipe, o Cacumbi é encontrado nos municípios de Lagarto, Japaratuba, Riachuelo e Laranjeiras.
     Cangaceiros
    Em 1960, Azulão, um dos homens de Lampião, formou um grupo composto de 17 homens e 2 mulheres (representando Maria Bonita e Dadá), vestidos de cangaceiros e, com eles saiu cantando e dançando em ritmo de forró pelas ruas de Lagarto; costume vivo até hoje, revivendo as estórias e histórias de Lampião cantadas e decantadas em prosa e verso.
    O grupo tem como indumentária chapéus de couro enfeitados, camisas de mangas longas com divisas nos ombros, jabiracas coloridas ou lenço no pescoço, cartucheiras, espingardas e sandálias de couro grosso.
    Em Sergipe, a manifestação permanece viva nos municípios de Lagarto e Própria

     Chegança
    Dança que representa em sua evolução a luta dos cristãos pelo batismo dos Mouros. A apresentação sempre acontece na porta de igrejas, onde uma embarcação de madeira é montada para o desenvolvimento das jornadas.
    A predominância é do azul e do branco. O padre, o rei e os Mouros (personagens da Chegança), utilizam outras tonalidades. O pandeiro é o principal instrumento de acompanhamento, eles utilizam também apitos e espadas. Bastante teatral, a apresentação completa da Chegança demora, geralmente, 60 minutos.
    A influência do Samba em Sergipe
    O samba é um gênero musical e tipo de dança popular brasileira cuja origem remonta à África. Os negros escravos que chegaram a Sergipe no início do século 17 trouxeram uma bagagem cultural muita significativa, com ritmos e cânticos que aos poucos foram sendo assimilados pelos portugueses e brasileiros. Essa mistura de culturas produziu um tipo de samba, marcado por batidas suaves e sincopadas.
    Sergipe é responsável pela absorção do samba em outras manifestações folclóricas, existentes até hoje. Em várias partes do Estado, mas principalmente no Litoral Sul, grupos folclóricos como Batucada, Samba de Coco e Pisa Pólvora, são exemplos vivos da raiz mais pura do Samba.
     Guerreiro
    Auto natalino, que carrega marcas do Reisado. Sobre as origens conta a lenda popular que uma rainha, em um passeio acompanhada de sua criada de nome Lira e dos guardas (Vassalos), conhece a apaixona-se por um índio chamado Peri. Para não ser denunciada, manda matar Lira. Mesmo assim, o rei toma conhecimento do fato e, na luta contra o índio Peri, morre.
          A dança é composta de jornadas - uma seqüência de cantos e danças -, que são apresentadas de acordo com os personagens de cada grupo, sendo um dos pontos culminantes a luta de espadas, travada entre o Mestre e o índio Peri. Os principais personagens do Guerreiro, além do Mestre – que comanda as apresentações -, e do índio Peri, são: o Embaixador, a Rainha, Lira, o Palhaço e os Vassalos.
          Os instrumentos que acompanham o grupo são sanfona, pandeiro, triângulo e tambor. Destacam-se os trajes coloridos e ricamente enfeitados.

     Lambe Sujo e Caboclinho
    São dois grupos folclóricos unidos num folguedo que se baseia no episódio da destruição dos quilombos. O grupo dos Lambe-Sujos é formado por meninos e homens totalmente pintados de preto, usando uma mistura de tinta preta e melaço de cana-de-açúcar para ficar com a pele brilhosa. Eles usam short e um gorro de flanela vermelha. Nas mãos, uma foice, símbolo de luta pela liberdade. Fazem parte do grupo o Rei”, a Rainha e a “Mãe Suzana”, representando uma escrava negra.
    Após uma alvorada festiva, os Lambe-Sujos saem às ruas, acompanhados por pandeiros, cuícas, reco-recos e tamborins, roubando diversos objetos de pessoas da comunidade que são guardados no “mocambo”, armado em praça pública. A devolução dos objetos é feita mediante contribuição em dinheiro pelo proprietário do objeto roubado.
    Junto com os Lambe-Sujos se apresentam os Caboclinhos, que pintam o corpo de roxo-terra e usam indumentária indígena: enfeites de penas, cocar e flecha nas mãos.
    A brincadeira consiste na captura a rainha dos Caboclinhos pelos Lambe-Sujos, que fica aprisionada. À tarde, há a tradicional “batalha” pela libertação da rainha, da qual os Caboclinhos saem vitoriosos.
    O grupo musical que acompanha o folguedo é composto por ganzás, pandeiros, cuícas, tambores e reco-recos.
    Hoje, a "Festa de Lambe-Sujo", como é conhecida, tornou-se uma das mais importantes da cidade de Laranjeiras, acontecendo sempre no segundo domingo de outubro.

     Maracatu
    O Maracatu originou-se da coroação dos Reis do Congo. Não sendo propriamente um auto, não tem um enredo ordenado para sua exibição.
    Integram ao cortejo real, lembrança da célebre rainha africana Ginga de Matamba, o Rei, a Rainha, o Príncipe e a Princesa, Ministros, Conselheiros, Vassalos, Lanceiros, a Porta-bandeira, Soldados, Baianas e tocadores. E as “Calungas”, bonecos representando Oxum e Xangô. Em geral o cortejo é formado por integrantes negros. Vestidos de cores extravagantes, os participantes do cortejo seguem pelas ruas da cidade cantando e saracoteando, entre umbigadas, cumprimentos e marchas. Não existe uma coreografia especial.
    Algumas das cantigas são proferidas numa presumível língua africana, tambor, chocalho e gonguê são os instrumentos musicais que acompanham o cortejo.
     Tendo o Maracatu perdido a tradição sagrada, hoje, é considerado um grupo carnavalesco, de brincadeira s de rua, que, em Sergipe, é encontrado nos municípios de Brejo Grande e Japaratuba.
     Parafusos
    Conta-se que no tempo da escravidão, os escravos negros fugitivos saíram à noite para roubar as anáguas das sinhazinhas deixadas no quaradouro. Cobrindo todo corpo até o pescoço, sobrepondo peça por peça, nas noites de lua cheia saíram pelas ruas dando pulos e rodopiando em busca da liberdade. A superstição da época contribuiu para que os senhores ficavam apavorados com tal assombração - acreditando em almas sem cabeça e outras visagens - e não ousavam sair de casa.
    Após a libertação, os negros saíram pelas ruas vestidos do jeito como faziam para fugir dos seus donos. Nasceram assim os parafusos.
    Trajando uma seqüência de anáguas, cantarolando, pulando em movimentos torcidos e retorcidos, um grupo exclusivamente de homens – representando os escravos negros – formam o grupo folclórico “Parafuso” da cidade de Lagarto.
    Os instrumentos que acompanham o grupo são triângulo, acordeom e bombo.

     Reisado
    O Reisado, de origem ibérica, se instalou em Sergipe no período colonial. É uma dança do período natalino em comemoração do nascimento do menino Jesus e em homenagem dos Reis Magos. Antigamente era dançado às vésperas do Dia de Reis, estendendo-se até fevereiro para o ritual do “enterro do boi”. Atualmente, o Reisado é dançado, também, em outros eventos e em qualquer época do ano.
    A cantoria começa com o deslocamento do grupo para um local previamente determinado, onde é cantado “O Benedito”, em louvor a Deus, para que a brincadeira seja abençoada e autorizada. A partir daí, começam as “jornadas”. O enredo é formado pelos mais diversos motivos: amor, guerra, religião, história local, etc., apresentado em tom satírico e humorístico, originando um clima de brincadeira.
    O Reisado é formado por dois cordões que disputam a simpatia da platéia e são liderados pelas personagens centrais: o “Caboclo” ou “Mateus” e a “Dona Deusa” ou “Dona do Baile”. Também se destaca a figura do “Boi”, cuja aparição representa o ponto alto da dança. Os instrumentos que acompanham o grupo são violão, sanfona, pandeiro, zabumba, triângulo e ganzá.
    O Reisado tem como característica o uso de trajes de cores fortes e chapéus ricamente enfeitados com fitas coloridas e espelhinhos.
     São Gonçalo
    Dança em homenagem a São Gonçalo do Amarante, que segundo a lenda, teria sido um marinheiro que tirou muitas mulheres da prostituição, através da música alegre que fazia com a viola. A dança é acompanhada por violões, pulés (instrumentos feitos de bambu), e caixa. A caixa é tocada pelo "patrão" - homem vestido de marinheiro, como alusão a São Gonçalo do Amarante. O grupo dança em festas religiosas e pagamento de promessas. É composto em suas maioria por trabalhadores rurais, que se vestem de mulher, representando as prostitutas. Um dos grupos mais apreciados pela singeleza da dança e da música.
    Apesar de louvar um Santo católico, a dança lembra movimentos de rituais afro. Mais uma vez isso fica comprovado também na letra das músicas. Um dos versos mais conhecidos do São Gonçalo diz: “Vosso reis pediu uma dança, é de ponta de pé, é de ‘calcanhá’. Onde mora vosso reis de Congo...”
    Os movimentos muito sensuais parecem mais um jogo de conquista, já que os dançadores representam prostitutas que São Gonçalo recuperou através da dança. Não é à toa que os homens se vestem com saias, fitas coloridas e colares. Tudo isso serve para simbolizar as prostitutas.
    A religiosidade do grupo é visível. Assim que começa a brincadeira eles fazem o sinal da cruz. Quando termina também. Para acompanhar o gesto, os brincantes cantam: “Nas horas de Deus amém. Padre, Filho, Espírito Santo. Essa primeira cantiga que pra São Gonçalo eu canto”.
    São Gonçalo morreu em 1262 e foi canonizado somente em 1561. O rei de Portugal Dom João III, um grande devoto, foi um dos primeiros a empenhar-se para a beatificação do Santo em Roma. Em Portugal a sua festa é realizada em Amarante, no dia 7 de Junho.
     Taieira
    Grupo de forte característica religiosa tendo por objetivo a louvação a São Benedito e a Nossa Sra. do Rosário, ambos padroeiros dos negros no Brasil. É da imagem dessa santa que se retira a coroa para colocar na cabeça da "Rainhas das Taieiras" ou "Rainha do Congo". Durante a missa na Igreja de São Benedito, em Laranjeiras, as Taieiras, grupo de influência afro, participa efetivamente do ritual cristão numa demonstração clara do sincretismo religiosos entre a Igreja Católica e os rituais afro-brasileiros. O momento da coroação é o ápice da festa que se realiza sempre no dia 06 de janeiro, nessa igreja.
    Tocando quexerés (instrumentos de percussão) e tambores, as Taieiras, trajando blusa vermelha cortada por fitas e saia branca, seguem pelas ruas cantando cantigas religiosas ou não.
    Este evento é definido como uma das mais claras demonstrações de sincretismo, com santos e rainhas, procissões e danças misturados num mesmo momento de celebração.
    Cacumbi
    Dança realizada em homenagem aos padroeiros dos negros, São Benedito e N. Sra. do Rosário. Composto exclusivamente por homens, o Cacumbi traça uma perfeita arrumação de seus componentes no contorno e no ritmo.
    A festa é rítmica, o som é marcante e o apito coordena a mudança dos passos. Chapéus enfeitados por fitas e espelhos, cores vivas e muita alegria marcam o espetáculo.

     Zabumba
    Zabumba é o nome popular do “bombo”, um instrumento de percussão. O termo, também, é usado para denominar o conjunto musical composta por quatro integrantes, todos do sexo masculino, conhecido como “Banda de Pífanos”. Em Sergipe, as apresentações da Zabumba acontecem em rituais de pagamento de promessas, datas comemorativas, festas religiosas e festivais de cultura popular.


    GRUPOS FOLCLÓRICOS DO CICLO JUNINO
     Bacamarteiros
    Costume e tradição do município de Carmópolis. Os Bacamarteiros comemoram a noite de São João (24 de junho) com dança, música e muitos tiros de bacamarte (espécie de rifle artesanal). O grupo é composto por mais de 60 participantes, entre homens e mulheres. As mulheres trajam chapéu de palha e vestido de chita, dançam sempre em círculo, enquanto os homens, que ficam atrás, vão disparando tiros de bacamarte, de acordo com o desenrolar da dança.

     Batucada
    Manifestação folclórica bastante difundida no município de Estância. Os instrumentos de percussão - tambor, reco-reco, ganzá e triângulo - e o compasso rítmico das batidas dos pés são as características mais marcantes.
    A Batucada é composta de 100 a 150 figurantes, homens e mulheres, que vestem indumentárias típicas do ciclo junino. Na cabeça, todos usam chapéus de palha e nos pés tamancos de madeira.

     Samba de Coco
    Uma dança acompanhada de cânticos, a origem é africana, mas com forte influência indígena. A marcação do ritmo é forte, feita através dos sapateados e das palmas.
    Sua origem africana está ligada intimamente à formação dos quilombos. Os negros que fugiam das senzalas se reuniam em locais distantes - quilombos, e para passar o tempo ocioso cantavam enquanto praticavam o ritual da quebra do coco, retirando a “coconha” (amêndoa), para o preparo dos alimentos. No Samba de Coco, o tirador do coco, também chamado de coqueiro, é quem puxa os versos, que são respondidos pelo coro dos participantes. Os versos podem ser tradicionais e improvisados e aparecem nas mais variadas formas, quadras, sextilhas, décimas, etc.
    No Samba de Coco o canto é marcado pelos instrumentos de percussão: cuícas, pandeiros, ganzás, bombos, tambores, chocalhos, maracas e zabumbas que acompanham a sanfona.
    Enquanto dançam, sapateando e pisando forte no chão, os participantes batem palmas e cantam, girando sem parar, desenvolvendo passos e requebros.
    A indumentária é simples. As mulheres usam vestidos estampados, com saias rodadas e cinturas marcadas, e os homens, calças comuns e camisas identicamente estampadas. Nos pés, usam tamancos de madeira que ajudam a sonorizar o ato da pisada no chão.

     Sarandaia
    A Sarandaia, realizada em Capela, é a junção de dois grupos folclóricos: Zabumba e Bacamarteiros. No dia 31 de maio, à meia-noite, eles saem às ruas pedindo brindes para ajudar a compor o mastro. O cortejo invade a noite com muita gente dançando ao ritmo da zabumba e os estouros dos bacamartes.

     Pisa-Pólvora
    Um ritual, uma dança folclórica, muito parecida com a Batucada, ambas manifestações populares com forte expressividade no município de Estância. A finalidade maior do Pisa-Pólvora é preparar a pólvora para as sensacionais batalhas de busca-pés e para os barcos de fogo, abrindo os festejos juninos da cidade.
    A dança é realizada em torno de um pilão, onde estão colocados o enxofre, o salitre e o carvão, substâncias utilizadas no preparo da pólvora. Homens e mulheres costumam participar, vestidos à moda caipira, cantando e dançando ao som de ganzás, tambores, triângulos, reco-reco e porca.
    O ritual é uma herança dos tempos da escravidão; os negros costumavam realizar as tarefas, dançando, pisando forte no chão e tirando versos de improviso.
    Fontes:


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    dados de Sergipe

    Capital: Aracaju
    População: 1.939.426 habitantes
    Área Total: 22.020,0 km²
    Dens. Demográfica: 88,08 hab/km²
    Cidades: 75

    Localização:
    Localizado na porção leste da região Nordeste do Brasil.
    Limites:
    Norte : Estado de Alagoas
    Leste : Oceano Atlântico
    Sul e Oeste : Estado da Bahia.

    Clima/Temperatura:
    O clima no Estado é tropical, com chuvas mais freqüentes na costa e longas estiagens no interior, especialmente na região semi-árida. As temperaturas médias anuais ficam em torno de 23 e 24º C.

    Relevo:
    Seu relevo caracteriza-se pela predominância de terrenos baixos e várzeas nas proximidades do litoral, onde há uma faixa úmida voltada para o oceano; planícies na parte norte do Estado; e planalto semi-árido em sua região noroeste.

    Hidrografia:
    O principal rio que banha o Estado de Sergipe é o São Francisco, um dos mais importantes do Brasil. Sua bacia hidrográfica inclui também os rios Vaza Barris, Sergipe, Japaratuba, Piauí e Real.

    Vegetação:
    A vegetação predominante distingue a paisagem típica litorânea, de coqueiros e vegetação rasteira, da caatinga encontrada no interior. As extensas florestas anteriormente existentes, desapareceram substituídas pelo cultivo agrícola ou pela exportação das madeiras nobres, ainda nos tempos da colônia.

    Fontes:
    - http://www.citybrazil.com.br/
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    história de sergipe

    Siri-i-pe: Em tupi, siri é “caranguejo”, i é “água”, pé significa “caminho ”ou “curso” = curso do rio dos siris, ou simplesmente rio dos siris. Na linguagem do colonizador, Siri-i-pe transformou-se em Sergipe.

    Siri-i-pe, palavra de origem tupi, significa “curso do rio dos siris”, ou simplesmente “rio dos siris”. Mais tarde foi adotado Cirizipe ou Cerigipe, que significa "ferrão de siri", nome de um dos cinco caciques que se opuseram ao domínio português. Na linguagem do colonizador, Siri-i-pe transformou se em Sergipe. Com a divisão do Brasil em 15 (quinze) Capitanias Hereditárias, o atual território sergipano fazia parte da capitania que se estendia da foz do rio São Francisco à Ponta do Padrão na Bahia (Baía de Todos os Santos), concedida a Francisco Pereira Coutinho, em 1534, por Carta de Doação. A presença de Coutinho não alcançou as terras sergipanas, favorecendo a ação dos piratas franceses que contrabandeavam o pau-brasil, contando com a colaboração dos Tupinambás, tribo indígena que habitava o litoral sergipano.
         As terras sergipanas, na época do descobrimento, eram habitadas por várias tribos indígenas. Além dos Tupinambás e caetés - tribos predominantes que ocupavam cerca de 30 aldeias ao longo do litoral e ambas pertencentes ao grupo tupi-, havia, Xocós (única tribo sobrevivente, que vive na Ilha de São Pedro, no município de Porto da Folha), Aramurus e Kiriris, nas margens dos rios São Francisco e Jacaré; Aramaris, Abacatiaras e Ramaris, no interior, além dos Boimés, Karapatós e os Natus.
         Devido ao fracasso do sistema de capitanias, das quais só duas prosperavam, a Coroa portuguesa comprou, em 1549, a capitania da Baía de Todos os Santos, incluindo Sergipe - dos herdeiros do donatário, para sediar o governo-geral e nomeou Tomé de Souza como primeiro governador-geral da Colônia.
         A primeira tentativa de colonização de Sergipe ocorreu a partir de 1575, quando os jesuítas Gaspar Lourenço e João Salônio percorreram algumas aldeias e por onde passaram, fundaram as missões de São Tomé e ergueram igrejas dedicadas a São Tomé - nas imediações do rio Piauí (supõe-se no atual município de Santa Luzia do Itanhy) -, a Santo Inácio - às margens do rio Vaza-Barris (Itaporanga D'Ajuda) -, e a São Paulo - provavelmente em território que hoje pertence ao município de Aracaju -, localizadas em terras dominadas pelos caciques tupinambá Surubi, Serigi e Aperipê.
         A chegada do então governador Luis de Brito a região, insatisfeito com esta primeira tentativa de colonização, provocou a fuga dos índios. Por ele interpretado como rompimento das relações amistosas, serviu de pretexto para atacá-los, resultando em morte de muitos índios que não conseguiram fugir, inclusive de Surubi, e aprisionamento de Serigy. A ação de Brito não contribuiu para a conquista de Sergipe, que só aconteceu através uma guerra sangrenta contra os indígenas que foram definitivamente dominados por Cristóvão de Barros, em 1590, com a derrota do temido cacique Boipeba.Por ordem do rei Felipe II da Espanha e I de Portugal, Cristóvão de Barros fundou um arraial denominado de cidade de São Cristóvão, sede do governo, e deu à capitania o nome de Sergipe Del Rey, da qual foi nomeado o primeiro capitão-mor. Montada a máquina administrativa, começou o trabalho de colonização e povoamento de Sergipe, através de doações de sesmarias. As imediações dos rios Reais e Piauí foram as primeiras a serem povoados. No início do século XVII, a colonização continuou nas regiões do Norte, pelas margens do rio São Francisco. Entre 1637 e 1645 Sergipe esteve sob domínio dos holandeses, período no qual sua economia foi bastante prejudicada. Durante a invasão, São Cristóvão foi praticamente destruída, sendo reconstruída depois da expulsão dos holandeses. Após restituir o domínio português, a vida em Sergipe volta a se normalizar lentamente, desenvolvendo-se a cultura de mantimentos e a pecuária. Surge, na época, a lenda das minas de prata na Serra de Itabaiana.
    No século XVIII, o cultivo da cana-de-açúcar começa a se desenvolver em Sergipe, atividade econômica que logo enriqueceu e destacou o Vale de Cotinguiba, superando o comércio de gado, inicialmente base da economia da capitania. Chegaram também os primeiros escravos da África para trabalharem na lavoura. Em 1696, Sergipe consegue sua autonomia jurídica com a criação da Comarca de Sergipe, sendo Diogo Pacheco de Carvalho nomeado como primeiro ouvidor. Em 1698 foram instaladas as primeiras vilas: Itabaiana, Lagarto, Santa Luzia e Santo Amaro das Brotas.
    No começo do século XIX, Sergipe tinha economia própria e o seu principal produto era o açúcar. Criava-se gado e produzia-se também algodão, couro, fumo, arroz, mandioca, produtos exportados para as capitanias vizinhas.Em 1763, a Bahia, Sergipe, Ilhéus e Porto Seguro foram reunidos em uma só província, e Sergipe tornou-se responsável por um terço da produção açucareira baiana. Constantes intervenções na vida sergipana contribuíram para que aumentassem os protestos nas câmaras municipais contra a dependência da Bahia. Então, no dia 08 de Julho de 1820, um Decreto de Dom João VI elevava Sergipe à categoria de Capitania independente da Bahia e Província do Império do Brasil, com o brigadeiro Carlos César Burlamaque nomeado seu primeiro governador. A independência, porém, durou pouco. Em 1821, logo depois de chegar em Sergipe, Burlamaque foi preso por ordem da Junta Governamental da Bahia e conduzido para Salvador por não querer aderir ao movimento constitucionalista.
    Finalmente, em 5 de dezembro de 1822, Dom Pedro I confirmou o decreto de 1820 que dava independência a Sergipe Del Rey, sendo nomeado Presidente, no ano seguinte, o brigadeiro Manuel Fernandes da Silveira. Em 1836, a Revolta de Santo Amaro voltou a tumultuar a vida em Sergipe, estendendo-se por outras vilas. Durante o conflito formaram-se os partidos Liberais e Conservador, os quais dominaram a política sergipana durante o Império. Com a decadência da cana-de-açúcar, a economia de Sergipe passa a depender da produção de algodão.
    Em 17 de Março de 1855, a província ganha uma nova capital. O então presidente Inácio Joaquim Barbosa transfere o comando político-administrativo para o povoado de Santo Antônio de Aracaju, à margem direita do rio Sergipe. A mudança, movida por razões econômicas, gerou protestos em São Cristóvão. Em 1860, a Província recebe a visita de Dom Pedro II que percorre vários municípios sergipanos. Considerando a monarquia um fator de atraso para o Brasil, começa a se formar em Laranjeiras o Partido Republicano, que, em 1889, consegue eleger os primeiros representantes para o Congresso Federal; entre eles o escritor e filólogo João Ribeiro. Em 1892 é promulgada a primeira Constituição do Estado de Sergipe e, em 1920, durante as comemorações dos 100 anos de independência, foi oficializada a bandeira. No início da República, Sergipe sedia movimentos rebeldes os quais disputam a hegemonia política local. Essas revoltas são motivadas pela interferência dos governos centrais que nomeiam para sucessivas chefias do Estado intelectuais sergipanos de projeção nacional, mas que não possuem raízes partidárias na região.
    Durante uma década, o Nordeste brasileiro viveu o clima do cangaço com o surgimento do bando chefiado por Virgolino Ferreira, o Lampião. O grupo percorreu Sergipe e mais seis estados nordestinos até 1938, ano em que Lampião foi surpreendido pela volante e morto junto com Maria Bonita e mais nove companheiros em seu esconderijo em Angico, no município de Poço Redondo, no vale do São Francisco.
    Em Agosto de 1942, Sergipe virou notícia nacional com a divulgação que, próximo à foz do rio Real (hoje Praia dos Náufragos), o submarino alemão denominado U 507, afundou os navios mercantes brasileiros Baependy, Araraquara e Aníbal Benévolo. Seguindo sua patrulha em direção Sul, o submarino fez mais três vítimas, o Itagiba, o Arará e o veleiro Jacyra, provocando protestos em Sergipe e em todo o país. Poucos dias depois dos naufrágios, o Brasil declarou guerra aos países do Eixo e sua participação na II Guerra Mundial.

     RESUMO DA FORMAÇÃO HISTÓRICA:
    - A colonização só é possível depois da tomada, em 1590, das aldeias indígenas hostis à ocupação.
    - A fundação do Arraial de São Cristóvão, sede da capitania de Sergipe del-Rey, torna a região importante pólo de criação de gado e plantação de cana-de-açúcar.
    - As invasões holandesas prejudicam a economia, recuperada com a volta dos portugueses, que retomam as antigas atividades.
    - Em 1763, é anexado à Bahia e torna-se responsável por um terço da produção açucareira baiana.
    - Volta a ser autônoma em 1820, por decreto de Dom João VI.
    - Com o fim do ciclo do açúcar, ocorre um aumento considerável na produção de algodão em conseqüência da Guerra da Secessão, nos EUA.
    - No início da República, sedia diversos movimentos rebeldes que disputam a hegemonia política local.

     Quando Começou a colonização de Sergipe?

    A colonização do território onde hoje está Sergipe começou em 1590. Esse território fazia parte da capitania doada a Francisco Pereira Coutinho em 1534, que se estendia do Rio São Francisco até a Ponta do Padrão na Bahia.

     Por que a capitania foi chamava a princípio Sergipe d’El Rey?

    O território entre o Rio Real e o Rio São Francisco foi comprado pelo Rei D. João III, após o falecimento do donatário da capitania da Bahia em 1547, de seus herdeiros com a finalidade de barrar a incursões francesas.

     Quem habitava Sergipe antes do processo de colonização Português?

    Sergipe era habitado por tribos Tupinambá, Kiriri, Boimé, Karapotó, Aramuru entre outras, sendo que predominava aqui tribos tupinambás.

    Antes da colonização os índios tiveram contato com os brancos(europeus)?

    Sim. As expedições piratas franceses estabeleceram contato com as tribos do litoral sergipano, efetuando escambo, ou seja, troca de objetos (miçangas, espelhos, instrumentos de metal, etc. ) por Pau-Brasil. Essa relação entre franceses e índios ocorria de forma amistosa ao contrário da relação hostil empreendida pelos colonizadores portugueses. Em 1575, após solicitação de alguns  chefes indígenas, padres jesuítas fundaram missões no território onde hoje está Sergipe. Foram criadas as missões de São Tomé (na atual Santa Luzia do Itanhy), Santo Inácio (as margens do rio Vasa-Barris em Itapuranga) e São Paulo (no litoral). Os jesuítas responsáveis pela catequização dos indígenas foram; Gaspar Lorenço e João Salônio.

     
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    Ceará tenta desvendar mistério do massacre do Caldeirão

    segunda-feira, 8 de agosto de 2011

    Registros de 1937 mostram que comunidade messiânica foi massacrada. Pesquisadores, porém, não encontram ossadas


    Em 1937, os jornais brasileiros noticiaram que a comunidade religiosa do Caldeirão, liderada pelo beato José Lourenço, no município do Crato, Cariri cearense, fora massacrada pelo governo federal, com milhares de mortos arremessados em uma cova coletiva. Agora, 74 anos depois, a ONG cearense SOS Direitos Humanos quer encontrar, exumar, identificar, enterrar os restos mortais dessas pessoas e indenizar seus descendentes.
    O problema é que pesquisadores da universidade local afirmam que o massacre em questão nunca existiu.
    O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto foi uma comunidade religiosa e messiânica que existiu nas primeiras décadas do século passado num pé de serra, na Chapada do Araripe. Ela tinha um líder chamado beato José Lourenço e era vista pelo governo de Getúlio Vargas como uma célula de “comunismo primitivo”, que se recusava a obedecer ao governo. Registros históricos dão conta de que cerca de mil camponeses católicos dessa comunidade teriam sido assassinados em 11 de maio de 1937. O governo de Getúlio Vargas teria mandado aviões da Força Aérea Brasileira para bombardear o território do Caldeirão.
    A pesquisa
    Em 2008, a ONG SOS Direitos Humanos entrou com um pedido de indenização para os descendentes das pessoas que teriam morrido no Caldeirão. A ação foi arquivada. A ONG foi à Justiça de novo, pedindo novas buscas. O problema é que esses corpos nunca foram encontrados por pesquisadores e não há relato de nenhum remanescente sobre o suposto massacre. O Exército brasileiro nega que tenha dizimado a comunidade e um pesquisador da Universidade Regional do Cariri (Urca) afirma que não existe nenhuma prova concreta.
    Foto: Reprodução Ampliar
    O beato José Lourenço: "Ele passou pelos policiais pedindo licença. Ninguém fazia ideia de que o temido beato era apenas um velhinho cansado"
    “Eu acho bastante esquisito esse pedido de indenização. Não se pode simplesmente acusar o Estado e as forças militares sem que haja um respaldo minimamente arqueológico. Nenhum dos meus entrevistados confirma essa versão”, afirma o professor do Departamento de Ciências Sociais da Urca, Domingos Sávio Cordeiro.
    Segundo o pesquisador, o que há de comprovado nessa história é que, em 1936, a Polícia Militar do Ceará invadiu o Caldeirão, apreendeu os bens da comunidade, expulsou os moradores, mas sequer chegou a prender o líder beato José Lourenço. “Zé Lourenço passou pelos policiais pedindo licença. Ele era um ancião e não foi reconhecido. Ninguém fazia ideia de que o temido beato era apenas um velhinho já cansado”, conta Sávio Cordeiro.
    Lourenço teria fugido para a Chapada do Araripe, uma parte dos moradores continuaram nos arredores, outra foi para o Rio Grande do Norte e alguns foram para a Bahia e se juntaram ao movimento "Pau de Colher", que existiu entre 1937 e 1938. “Lá, sim, essas pessoas que fugiram do Caldeirão foram mortas por tropas estaduais e federais, junto com centenas”, diz o pesquisador.
    Segundo ele, no dia 11 de maio de 1937 o que houve foi um confronto de um grupo de beatos contra a Polícia Militar que resultou em oito mortes. Contudo, o presidente da SOS Direitos Humanos, Otoniel Ajala Dourado, compara o que houve no Caldeirão com a guerrilha do Araguaia (1972-74). Para ele, o desaparecimento dos corpos é mais um crime que foi cometido contra a comunidade.
    FONTE:http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/ce/ceara+tenta+desvendar+misterio+do+massacre+do+caldeirao/n1597120641582.html
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